Patricia Lins

Foto: Isac Kosminsky

Bio

Patricia Lins é Graduada em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Universidade Católica do Salvador. Especialista em Relações Públicas com metodologia do Ensino Superior, pela UNEB, Radialista e Jornalista. Sua escrita, seja na poesia, nos contos e nos futuros romances, traz a busca do Ser no Mundo. A necessidade de romper com os padrões atuais de demagogia e superficialidade, para algo maior, melhor, mais responsável e consciente. Autora do livro infantil Amarela da Seca, 2014; integra o time de poetas nas antologias: Mulher Poesia, 2016; Cogito Antologia Poética Vol. I e II; Mundo – Vol. I e II, da Cogito Editora. Escreve nos blogs: “Aqui e agora” – patlins.blogspot.com; “Mães na Prática” – maesnapratica.blogspot.com; e “Cotidiano – A Saga de Anita cotidiano-asagadeanita.blogspot.com.br , onde “conversa”, de maneira bastante informal, porém reflexiva, sobre cotidiano, valores, Ser, humanismo, maternidade, Vida, Tempo, Natureza… mundo, e propõe, entre outras ações, o movimento VAMOS DEIXAR UM MUNDO MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E FILHOS MELHORES NESTE MUNDO! Onde levanta a bandeira de que podemos fazer, hoje, aqui e agora o começo de um mundo melhor com pequenas ações diárias.

Produção Literária

PINGUINHO, O MENINO VENTO

Vou contar a história de um menino que conheci. Seu nome? Nunca soube. Todos o chamavam de “Pinguinho, o menino vento”.

Ele era um pingo de gente, um pingo de ouro.

Quando se chateava, de pingo não ficava nada… um gigante enfurecido se tornava!

Todo dia, entrava e saía das nossas vidas: alegrando, cumprimentando, sorrindo, pulando, correndo, gritando… só faltava passar voando.

– Hummm! Que vento úmido vem vindo. Deve estar triste e choroso, o nosso Pingo. – sentiu no ar Dona Mocinha, uma senhora muita amiga da criançada.

– Ah, que brisa boa! – Falou tia Maria, quando Pingo passou e lindas flores entregou.

– Êta! Esse Pingo tá danado! Tem freio, não? Hoje, tá que tá, mais parece um furacão. – Comentou seu Nô, se segurando em meu portão, depois que Pingo passou correndo e quase o derrubou.

Acho que ele nem sabia que era querido… não dava tempo. O menino na mesma hora que estava aqui, estava ali, estava acolá. Ele estava em todo lugar!

Dia desses, Davi foi parar no meu cercado, pedindo ajuda para levantar:

– Esse Pingo é muito malvado! Como diz o meu pai: “deve ser expulso desse lugar! ” – gritou triste e transtornado, depois do nosso pequeno menino vento, sem perceber, o machucar.

Tentei amenizar:

– Davi, ele nem sabe que te machucou. Não sabe que causou essa dor.

– Eu até sei, tia Tai. Gosto tanto dele… Mas doeu. Quantos mais terão que se machucar? Nada o faz parar?

– É… boa pergunta. Tão pequeno e vigoroso, sem a menor noção do próprio poder. Varia de uma hora para outra, não tem nem a gente como prever. Não tem como evitar.

Vô João estava por perto e veio completar:

– Conheço o Pingo desde pequeno. O menino já nasceu soprando forte, um verdadeiro tufão. Esse menino veio que veio. Tem um coração de ouro. Mas, não deixa nada parado no mesmo lugar.

– Como ele para, vô João? Como podemos ajudar? Meu pai já disse que temos todos que nos unir e expulsar ele e a família daqui, para a paz poder chegar. Não quer que eu fique perto… mandou eu me afastar.

– Oh, Davi, seu amigo não para. Já viu o vento parar? Mesmo que se aquiete, é como a brisa, como o ar. Só paredes, portas, janelas e telhado são capazes de o segurar, do outro lado de onde a gente está. Seu pai só pensa em te proteger, desconhece nosso pequeno amigo, nem quer conhecer. Tem gente que é assim, fazer o que?

– Ontem mesmo, me deu uma pena! Ninguém queria brincar com ele. Foi aí que ele ficou ainda mais agitado. Estava só vendo pela janela. Quando escutei seu choro de vento ventoso em dia de chuva e tempestade, não resisti. Abri a porta e o deixei entrar. Nossa! Sem querer, apenas por estar muito magoado, fez um estrago danado. Fechei tudo, para ele não sair daquele jeito. Sabe o que fiz? Abracei com força e carinho, até ele se acalmar. Ele chorou tudo, parecia chuva de temporal.

Davi interrompe, espantado:

– Ele parou, tia Tai?!

– Parou? Não. Suavizou, depois de uma boa dose de carinho e atenção. Quem disse que é fácil ser ele?

Depois dessa conversa, Davi enxugou as lágrimas e tomou uma decisão: “Já sei como ajudar!”

Reuniu todo o povoado e mandou seu recado:

– Gente, impossível prender o vento. Vamos levantar paredes, portas, janelas e telhados, para ele não nos atingir. A gente sabe que ele não tem noção do que faz, só que não deixa de fazer…  Assim, pensei em algo. Vou precisar da ajuda de todo mundo, ou, de quem puder ajudar, desde que seja de coração. Né, vô João?

Vô João que é arquiteto, chamou seu Túlio, engenheiro e apresentaram um projeto inusitado. Todo o vilarejo ficou emocionado. “Mãos à obra!” – começaram a gritar!

Com muito carinho, casas de amor foram erguidas. Portas de corações; janelas de ouvidos; paredes de abraços; telhados de cabeças – com muito cabelo, para ele poder brincar, naqueles dias em que estiver bem agitado, lá fora, e não sofrer, nem chorar.

O tempo passou, assim como o vento, sem parar. Pinguinho cresceu. Naquele vilarejo onde muitos o amavam, era entendido e amparado. Ainda era o vento. Só que, bem ajustado, empurrava tudo para frente e para o alto! Já não fazia mais estragos. Levantava a poeira da acomodação. Alegrava qualquer tristeza. Arejava os corações.

Isso me fez ter uma grande certeza: só o amor é capaz de construir paredes e portas que incluem, em vez de separar! 

Publicações

  • Amarela da Seca, 2014;
  • Participação na Mulher Poesia - Antologia Poética . 1. Ed (Cogito Editora), 2016;
  • Participação na Cogito Antologia Poética Vol. II. 1. Ed (Cogito Editora), 2015;
  • Participação na Cogito Antologia Poética - Vol I. 1. Ed (Cogito Editora), 2014;
  • Participação na Antologia Poética Mundo - Vol II. 1. Ed (Cogito Editora), 2014;
  • Participação na Antologia Poética Mundo . 1. Ed (Cogito Editora), 2013;
  • Liberdade Negada; em: Jornal A Tarde, Cidadão, 2013;
  • Um Suave Mergulho na Enseada do Segredo; em: Jornal A Tarde, Populares, p. 4 – 4, 2012.

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