Juvenal Payayá

Foto: Edilene Payayá

Bio

Juvenal Teodoro Payayá nasceu em 04/04/1945 em uma aldeia na Chapada Diamantina, o registrado é de Miguel Calmon-Ba, seus pais Cosme Teodoro da Silva e Ana Gonzaga da Silva tiveram como ascendentes indígenas Payayá da Cabeceira do Rio Utinga, na época, município de Morro do Chapéu; em ambiente tribal viveu sua primeira infância descalço, pelas serras, banhando no rio ou na roça ajudando os pais. Aos 11 anos, a convite de dona Maurícia, a mãe do Edilauro, viajou de trem, puxado por uma maria fumaça, pela primeira vez entre a estação das Flores, Rui Barbosa, e a estação da Calçada, em Salvador e gostou. Aos 13 viajou pela segunda vez com ‘seu’ Manoel de Maria Guedes entre a mesma estação das Flores até São Paulo. Aos 14 anos entre a estação Julio Preste e a estação de Maringá.
Acompanhando Chico de Zeca Marques para colher café na Fazenda Santa Terezinha em Umuarama, Paraná, na fazenda era o único que sabia ler, por isso torna-se sócio do empreiteiro. Como bom filho, retorna a São Paulo trazendo na bagagem uma larga experiência de vida aos 15 anos, sonhando alto não quer trabalhar na construção civil ou na indústria automobilística e assim ingressa no serviço público como contratado para entregar conta de água nas milhares de ruas de S. Paulo, por obra e graça da curiosidade descobre o Museu do Ipiranga e a Biblioteca Mario de Andrade, são deste tempo seus primeiros contos e poemas, e também outra significante descoberta: o Curso de Madureza Santa Ignez, aos 19 anos, onde aprende além das disciplinas curriculares, os primeiros passos da política estudantil, ingressando na luta contra a ditadura militar de 1964 chegando, como anônimo, a expor-se na luta mais aguerrida no Vale do Ribeira. Sempre irrequieto, apesar das idas e vindas, não se afastando por mais tempos do convívio dos pais, nos anos 70 surpreendeu a todos ao ser aprovado no vestibular da USP, o choque cultural foi marcante, abandona então a USP sem concluir os estudos de História e regressa definitivamente para a Bahia – lugar de índio é na aldeia –, sua aldeya natal. Como aluno de Economia da UEFS ajuda a fundar o Diretório Acadêmico de Economia Onestino Guimarães tornando-se seu primeiro presidente, depois ainda conclui o curso de Educação na UNEB e se especializa em Administração. No ramo editorial foi um profissional bem sucedido, torna-se pequeno empresário, ramo que abandona para dedicar-se a educação, à leitura, escrever textos.
Abraça a causa Indígena e a luta incansável pela afirmação do povo Indígena Payayá. Como professor atuou em diversas cidades e escolas. Para citar as instituições mais recentes: Colégio Senhor do Bonfim, Faculdade Vasco da Gama, Faculdade Unyhana, Fundação Visconde de Cairu e Faculdade Dois de Julho todas em Salvador. Finalmente, com muita sobriedade, é convidado pelo povo Payayá e empenha-se como Cacique não só à frente da resistência da cultura do povo Payayá, como procurando contribuir na luta da resistência histórica. Em 2010 ajuda a fundar o grande movimento indígena MUPOIBA- Movimento dos Povos e Organizações Indígena da Bahia participando da primeira coordenação como diretor financeiro.
Foi membro do Conselheiro Estadual de Educação da Bahia – CEE-BA e do Conselho Estadual dos Direitos dos Povos Indígenas do Estado da Bahia –COPIBA.

Produção Literária

AMÉRICA INDÍGENA (Dedicado a arqueóloga Niede Guidon)

Sou Américas Chapada indígena
Bolívia, chilena, Mawé,
Kaik, guarany, sou canibal
Mascando coca, raiz de jurema,
Licuri, açaí, bacuri, berimbau;

Vive os Andes! sou Arauá de Cuba,
Ameríkua de Aruba, sou kiryry
Milênios, sou Paraguay,
Sou Peru, Ilhéus sou Malvinas;
Vinho de mangaby, macaxera, kaûi.

Missões: restam dor e mágoa!
Marajó, lá onde Eva foi coberta
Em lençóis do Maranhão,
Vigiada pela capivara
Do Museu do Homem Americano;

Eclodem canhões no sul,
Tomba exangue um guarany;
O corpo de Chicão Xukuru
E a Daniela Truka
Galdino ardendo, sou Hãhãhãe!

A língua tupy é bela,
Excitante é a Capivara,
Serra da mais velha fogueira
Ante mesmo de Clóvis
Causando inveja na América.

Tiaraju, Ajuricaba e Mandu,
Zapata, Cayúby, Aimbaré
Juruna, Niéde Guidom, juremeté
Lagoa Santa Luzia e
São Raimundo Nonato;

Ato falho – grata Bahia
De Todos os índios e santos,
Hora de todos os brancos
Netos de todos os gringos,
Mandando em todos nós

Oh! Meu rei tupinambá.
Deus salve o oratório,
O terreiro de Jesus,
A mandinga da kaatinga
Refúgio e berço Payayá,

Da invasão das Jacobinas,
Da francesa, a holandesa,
A paulista-sírio-libanesa
Da espanhola à portuguesa.
“Essa terra tem dono!”
É indígena, com certeza!

Publicações

  • Vozes (Designe Editora), 2012 - poemas;
  • O Filho da Ditadura (Designe Editora), 2010;
  • Negócios na Periferia (Ed. Seculo XXI), 2006 - romance;
  • Timor Leste, O gosto da liberdade (Ed. Seculo XXI), 2005;
  • Pêlos Assassinos (Ed. Seculo XXI), 2004 – romance;
  • Os Tupinikim – Versos de Índio (Ed. Seculo XXI), 2001;
  • Ninguém na Caverna de Polifeno (Ed. Seculo XXI), 2001 - romance;
  • A Retomada x Interdito Proibitório – Caminho do Genocídio Indígena (Ed. Seculo XXI), 2004 (em parceria com Edilene Payayá)
  • Participação na coletânea Cadernos de Literatura nº 2, 2004;
  • Fenomenal – História do Primeiro rio (Ed. Seculo XXI), 2003;
  • Participação na coletânea Cadernos de Literatura nº 1, 2003;
  • Participação na coletânea Poetas da Bahia (Ed. Esporgeo), 2003.

Links

www.juvenal.teodoro.blog.uol.com.br

Contato

juvenalpayaya@gmail.com