Carlos Souza Yeshua

Foto: Tairine Ceuta

Bio

Carlos Souza de Jesus nasceu no município de Mairi (BA), no dia 25 de novembro de 1974. É Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Marketing pela Faculdade Polifucs e em Jornalismo, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC. Atualmente cursa MBA em Comunicação Eleitoral e Marketing Político, pela faculdade Estácio. Atua na área de assessoria de imprensa e marketing pessoal para escritores, instituições culturais e artistas em geral. Também é radialista, professor e palestrante. É coordenador e apresentador do programa evangélico Gospel Made in Bahia, gravado na livraria Saraiva do Shopping da Bahia e exibido no YouTube, no canal GospelMadeinBahia. É membro do colegiado de Literatura da Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB, na gestão 2013/2014 e 2015/2016. Coordenou o núcleo da União Brasileira de Escritores – UBE em Salvador (BA), entre 2011/2013, em parceria com Roberto Leal. O núcleo deu origem à União Baiana de Escritores – UBESC. Com a UBE realizou diversos eventos literários, por exemplo, os seminários: Literatura baiana: rumos e perspectivas (2011). É autor dos livros: Recortes de jornais; João Alfredo Domingues – pau pra toda obra: a saga de um português em terras angolas e brasileiras; Revolução pessoal – seu próximo desafio. É organizador das antologias: Carta ao Presidente – brasileiros em busca da cidadania (2012) e Carta ao Presidente – o que deseja o brasileiro no século XXI (2010). Participa como autor de quase duas dezenas de antologias literárias. Também escreveu a apresentação e orelha de alguns livros: Salvador 460 anos de poesia, Ed. Òmnira, 2008 (apresentação); Versatilavra, Ed. Òmnira, 2009 (orelha), etc.

Produção Literária

A desconfiada de Salvador

Isabela era uma mulher de olhos bem abertos para o namorado, Yago Cauã. Vivia armando para pegar o dito cujo com a boca na botija. Umas das primeiras coisas que providenciou foi mandar uma de suas amigas fazer uma ligação telefônica para o rapaz, dizendo que era uma admiradora secreta, que estava interessada em marcar um encontro com ele. Olha que o cara quase caíra nessa armadilha, afinal de contas, não era um santo, ninguém é de ferro e a carne é fraca.

Claro que aparecer uma mulher gata (como a moça da ligação dizia ser), sem que ele fizesse esforço, havia de ter alguma coisa errada. Como diz o ditado popular: “Laranja madura, na beira da estrada, tá bichada ou tem marimbondo no pé”. Só podia ser armação de alguém ou se tratava de alguma conhecida a fim de tirar onda. Caso fosse de fato uma gata, certamente não seria tão gata assim, provavelmente era uma baranga, daquelas que ninguém quer e devia estar apostando na possibilidade de ter um caso com o bonitão que fazia o maior sucesso entre as mulheres.

Na primeira oportunidade em que esteve com Isabela, Cauã logo lhe contou a ligação da misteriosa morena que queria sair com ele e dizia estar profundamente apaixonada e disposta a se entregar de corpo e alma aos prazeres da carne.

— Hum! Foi mesmo? E você marcou o encontro com ela? – perguntou Isabela sem demonstrar ciúme.

— Não, não marquei. Por quê? Deveria ter marcado?

— Sei lá, vocês homens parecem urubus, não aguentam ver uma carniça que caem em cima!

— Filhinha… Já passei desse tempo de “comer qualquer coisa”. Agora só carne de primeira, filé, coisa boa!

— Sei, estou de olho em você! – disse Isabela com ar de desconfiança, seu semblante denunciando mais do que diziam as palavras.

Cauã então entendeu que naquilo tinha o dedo dela. Não demorou muito, a garota confessou que o telefonema não passava de uma brincadeira para verificar até que ponto “seu namorado” era fiel.  Após umas boas gargalhadas, ele resolveu não se importar com tal conduta.

Claro que contratar alguém para dar em cima de quem teoricamente se ama é um risco muito grande; o amado pode não estar preparado para uma investida dessa natureza e acabar caindo em tentação. Depois o contratante do fruto proibido não vai poder reclamar, afinal, terá sido o responsável pelo chifre recebido.

Quem imagina que está sendo traído geralmente fica em busca de encontrar uma prova para justificar a desconfiança e, às vezes, torna-se ridículo por seus atos patéticos e infantis.

Em um belo dia de sábado Yago Cauã vai à casa de Isabela. Ficam juntos. Depois do almoço, avisa que terá de sair, pois tem uma reunião com uma jovem cantora com a qual pretende fazer uma parceria para a criação de uma banda de forró. Explica que já esteve com a moça em outras ocasiões para tratar deste assunto, mas que era importante acertar todos os detalhes porque, como se aproximavam os festejos juninos, o projeto da banda poderia ser uma excelente oportunidade de ganhar dinheiro, o que lhes daria a possibilidade de antecipar o casamento.

A referência ao casamento deixou Isabela com os olhos brilhando e um lindo sorriso no rosto, de modo que não questionou ser deixada em casa num sábado à tarde, ocasião em que os dois iam ao cinema ou ao teatro da cidade. Mas, bastou o rapaz sair, ela se pôs a pensar: “Jovem cantora… De banda de forró… Deve ser uma daquelas mulheres fruta, com um quadril que deixa os homens de queixo caído… Não, não, não vou deixar meu namorado sozinho com essa cantorinha de jeito nenhum. Não vou mesmo!” E tomou uma decisão:

Levantou-se da cama, trocou de roupa rapidamente, pegou a bolsa e foi atrás dele, acompanhando seus passos a uma distância segura, para não ser vista. Inocentemente, Yago Cauã seguia para Cidade Baixa, mais precisamente para a belíssima praça em frente à Igreja do Bonfim, de onde se pode apreciar um trecho de Salvador e encontrar os amigos. Embora, infelizmente, com a violência que assola a Bahia, não mais seja seguro frequentar as praças; há até risco de vida. Atualmente as pessoas refugiam-se em shoppings e os belos lugares da cidade vão ficando cada vez menos frequentados. Isto, porém, não deve ser visto como o fim. Quem sabe, um dia, a barbárie desapareça e voltemos a cultuar a paz.

No ônibus Cauã abriu um livro e, durante a longa viagem, permaneceu completamente envolvido na história que lia. Às vezes, levantava a cabeça apenas para evitar passar do ponto em que deveria descer do coletivo.

Isabela identificou o ônibus em que ele havia entrado, pegou o seguinte e saltou adiante. Conseguiu entrar no mesmo coletivo que Cauã estava. Sentou no banco do fundo, de onde ficou a observá-lo com os olhos bem abertos.  E não parava de conjeturar: “Se este cachorro acha que vai me trair está enganado. Hoje ele não escapa. Vou pegá-lo no flagra!”.

Quando chegou ao local da reunião Cauã encontrou a moça, aguardando-o num pequeno quiosque que havia na praça. A conversa durou mais ou menos duas horas. Não rolaram selinhos, carícias, intimidades ou qualquer coisa que comprovasse que ele tinha algum envolvimento amoroso com aquela jovem que, por sinal, não era tão sedutora como Isabela imaginava.

No final Cauã despediu-se e se dirigiu ao ponto de ônibus, intentando voltar para casa. Enquanto aguardava o transporte, deparou-se com Isabela, olhando-o desconfiada.

— Isabela? Você por aqui?  – perguntou, sem entender o que a namorada fazia ali, exatamente naquele momento.

Toda sorridente, ela mais parecia uma criança que quebrou o jarro de flores da mãe e ainda não tem ideia de como vai contar.

— Nada não, vim resolver umas coisas… Que coincidência encontrar você… – tentava disfarçar, mas demonstrava estar se sentindo uma boba em bancar a detetive, pois constatava que realmente Cauã falara a verdade.

Voltaram juntos no mesmo ônibus; ele rindo do ciúme evidente de Isabela.  A desconfiada pediu perdão e prometeu nunca mais agir dessa maneira. Se ela cumpriu a promessa, não se sabe.

Publicações

  • João Alfredo Domingues – pau pra toda obra: a saga de um português em terras angolanas e brasileiras (Ed. Òmnira), 2012
  • Revolução pessoal – seu próximo desafio (Ed. Òmnira), 2007
  • Organizou o Dicionário de Escritores Contemporâneos da Bahia (Editora CEPA), 2015
  • Organizou o livro Carta ao Presidente – brasileiros em busca da cidadania (Ed. Òmnira), 2012
  • Organizou o livro Carta ao Presidente – o que deseja o brasileiro no século XXI (Scortecci Editora), 2010
  • Participação na Antologia dos 7 Pecados Capitais em Prosa e Verso (Enseada das Letras Edições Culturais), 2016
  • Participação na Antologia Memórias (Agilite Publicações & Interatividade), 2016
  • Participação na Antologia Solilóquio (Cogito Editora), 2015
  • Participação na Seleta Os 7 Pecados Capitais (Pimenta Malagueta Editora), 2013
  • Participação no Livro dos Namorados (Artpoesia), 2013
  • Participação na Antologia Festas Pernambucanas – Antologia do Carnaval - Oh! Quarta-feira ingrata (Enseada das Letras Edições Culturais), 2013
  • Participação no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus, edição VII (Giz Editorial), 2012
  • Participação na Seleta Traços & Compassos (Pimenta Malagueta Editora), 2012
  • Participação no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus – homenagem ao centenário de nascimento de Jorge Amado – 1912-2012 (PerSe Editora), 2012
  • Participação na Antologia Fala Escritor (Editora Livrus), 2012
  • Participação na Antologia Festas Pernambucanas – Antologia do São João – Olha pro céu meu amor (Enseada das Letras Edições Culturais), 2012
  • Participação na Antologia Alma Brasileira, vol. 3 – edição especial Dia das Mães (Editora Virtual Books), 2010
  • Participação na Antologia Ecos Castroalvinos (Artpoesia), 2010
  • Participação na Antologia Fala Escritor (Editora Virtual Books), 2010
  • Participação na Antologia O que é que a Bahia tem (Litteris Editora), 2009
  • Participação na Antologia Ecos Machadianos (Artpoesia), 2009
  • Participação na Antologia Contos, Crônicas & Artigos (Ed. Òmnira), 2009
  • Participação na Antologia Anuário de Escritores 2003 (Litteris Editora), 2004
  • Participação na Antologia Grandes Escritores da Bahia, vol.4 (Litteris Editora), 2003
  • Participação na Antologia Iandê Nheenga, que significa nossa língua em Tupi (Ed. Òmnira), 2000

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